• Sara Brunelli

Armário Cápsula virou tendência?

Grandes mudanças - e até as pequenas - precisam envolver pensamento crítico. Ao optar por um armário cápsula você precisa entender como ele funciona, os objetivos que ele tem e como construí-lo de uma forma que realmente funciona pra você (e isso você não encontra num checklist de peças na internet). Pensa só: você já teve essa vontade de ter um guarda-roupa menor? Essa é uma característica presente em outros pontos da sua vida? Quais as chances de você só querer isso agora porque todo mundo está fazendo e, meses depois, se arrepender e comprar tudo de novo?


Mas o que é um Armário Capsula?

Esse conceito surgiu nos anos 70 pela estilista Susie Faux. A ideia era construir um armário composto apenas por itens essenciais e atemporais, que funcionassem entre si, com uma quantidade limitada de peças - buscando ser bem minimalista.


Na teoria isso é ótimo! Comprar menos, comprar melhor, ter o que realmente funciona e usa... um paraíso, né? Mas e na prática, como a gente constrói essa ideia de uma forma que faça sentido a longo prazo? E digo mais: como resgatar o significado quando esse armário vira trend do Tik Tok? Aliás, é preciso resgatar?


Armário cápsula não é um estilo - comecemos por aqui.

O que rolou é que nos últimos dias viralizaram vários vídeos de pessoas construindo um armário cápsula. Elas estavam, basicamente, seguindo listas prontas de peças fundamentais e comprando tudo o que estava ali. Além disso, as peças eram sempre as mesmas: tops com cores neutras, jeans e alfaiataria. Nada contra (nada mesmo) mas não é muito mais legal quando todo mundo não se veste igual? Até porque eu garanto que todo mundo ali tinha gostos, rotina e necessidades diferentes - fatores que moldam todo o nosso vestir.





Vamos a questão principal:

Comprar menos - e de uma forma mais consciente - é sim uma mudança no nosso comportamento, representa uma tendência. O ponto que coloco aqui é o de tratar o armário cápsula enquanto aqueles modismos que vemos nas redes sociais: todo mundo faz - até surgir algo novo e que todo mundo vai querer fazer também.


E tudo certo com modismos, desde que eles não te façam jogar um guarda-roupa inteiro fora.

As pessoas estão compartilhando as listas de peças que elas seguiram, as compras novas que chegaram, documentando todo o processo: o que é ótimo, mas também perigoso. A ideia central não é (ou não deveria ser) ter um guarda-roupa todo com peças básicas e neutras, por exemplo, mas quase todas as listas são basicamente disso. Aí fica a ideia: não dá pra construir um armário cápsula com cor, estampa ou o que quer que realmente faça o seu estilo - sem seguir uma lista pronta?


Além disso, quantas pessoas realmente pensaram sobre essa mudança? Analisaram o próprio estilo, começaram mudando uma coisa aqui e outra lá, trataram como um processo de fato, que não rola do dia pra noite?


Não dá pra buscar uma moda mais consciente, por exemplo, e trocar todo o guarda-roupa a cada tendência. Até porque as suas roupas de hoje dizem algo sobre você e você precisa levá-las em consideração, mesmo que seja para entender o que você não quer mais.


E olha só: tudo certo amar roupas neutras, básicas, jeans e alfaiataria. Só tô te chamando pra pensar se você gosta mesmo ou se é só o que te faz se sentir mais estilosa - já que é o que está sendo vendido como estiloso.



Pra gente pensar em conjunto

Já deu pra perceber que por aqui a gente não dá respostas prontas, né? Nem bate o martelo no certo e errado, mas chama pra refletir junto sobre temas que às vezes a gente só passa batido e não pensa tanto assim.


É importante falar do conteúdo de moda que vemos na internet porque ele gera gatilhos em muita gente! É muita tendência chegando toda hora, muita roupa sendo colocada como necessidade, muita gente-estilosa arrancando etiqueta todos os dias e aquele sentimento de "eu deveria ter tal peça" presente mesmo quando essa necessidade (ou vontade) nem existe de fato.


Por isso fica a maior dica possível - depois de toda essa reflexão: pensar mais sobre tudo. Tudo mesmo, e não só moda. Mas moda também. O que você tá vestindo? Por que você tá vestindo? Por que você tá comprando?


E isso não é um convite ao "nunca use tendências" ou "fuja da blusinha em promoção" porque se fizer sentido, vai fundo! É válido sim, é importante, se sentir bem é fundamental. Mas pensar sobre esses hábitos também não custa, né? E melhora todos eles - te garanto. Até pra testar estilo, roupa e novas possibilidades (que é uma etapa fundamental pra se descobrir).


Falando nisso, fica mais uma dica: clica aqui e vem pra minha consultoria de estilo. Estou com vagas abertas e vai ser um prazer impulsionar esse processo de pensar roupa com você.


Um beijo e obrigada por me ler até aqui.